70 ANOS DO LIVRO “GEOGRAFIA DA FOME”


Esse ano, o livro, Geografia da Fome, escrito pelo pernambucano Josué de Castro completa 70 ano. Uma obra que ganhou uma grande relevância para o campo da ciência e das análises sociais, sendo traduzida para mais de vinte idiomas, tornando o seu autor conhecido internacionalmente.

Josué de Castro foi um médico e geógrafo pernambucano que teve sua vida marcada pela produção intelectual, militância política e inserção nas lutas sociais, principalmente devido aos seus estudos acerca do fenômeno da fome e suas implicações sociais. Foi embaixador do Brasil na ONU e Deputado Federal pelo PTB no final da década de 1950.

Em 1946, publicou a obra que o tornou um dos pensadores mais importantes do pensamento geográfico brasileiro, Geografia da Fome. Obra que ainda influencia vários estudos sobre a temática, e que trás para essa discussão questões políticas e sociais. O livro procura desmascarar o problema da fome a partir de estudos voltados a questões estruturais da sociedade brasileira. Para isso, o autor mobiliza conceitos científicos importantes como fome endêmica e epidêmica, mosaico alimentar brasileiro e apresenta uma espécie de cartografia da fome no país.

Um dos pontos mais relevantes dessa obra se estabelece pela sua capacidade crítica de mostrar que a constituição da fome e da miséria no país, são fenômenos que vão para além da questão da disponibilidade de alimentos produzidos ou de recursos disponíveis, mas que estão alinhados ao processo de distribuição de riquezas historicamente estruturado no país, mobilizando assim nessa discussão, a necessidade de reformas estruturantes, inclusive a reforma agrária.

Temos aqui um importante livro, que deve ser lido e discutido pelos brasileiros, principalmente nas escolas e universidades, pois trás elementos que fortalecem a discussão sobre a construção de outra lógica de sociedade. Além disso, também é fundamental frisar que, visto o atual contexto político, Geografia da Fome torna-se mais do que nunca uma leitura obrigatória aos brasileiros, pois mostra muito bem qual o verdadeiro projeto político que o país necessita e como a atual luta em defesa da democracia deve ser encarada como um fator relevante para avançarmos rumo à construção de um projeto nacional de desenvolvimento e soberania para o Brasil. Salve o nosso Josué de Castro, intelectual e herói do povo brasileiro!

DOCUMENTÁRIO: ALANIR CARDOSO, O HERÓI VIVO DO POVO BRASILEIRO



A União da Juventude Socialista (UJS) homenageou em seu 16º Congresso estadual o presidente do PCdoB em Pernambuco, Alanir Cardoso. Dentre as falas de Luciana Santos, Marcelino Granja e tantos outros, a esposa de Alanir, Nevinha também deu um depoimento emocionante, assista!

CTB-PERNAMBUCO PARTICIPA DA CARAVANA POPULAR PELA DEMOCRACIA NO ESTADO


No início do mês de Julho, os setores que compõem a Frente Brasil Popular, organizaram uma grande caravana que percorreu por 12 municípios pernambucanos, realizando atividades políticas e culturais, a fim de denunciar o golpe e defender a ordem democrática no país, o retorno da presidente Dilma às atividades de chefe do Poder Executivo nacional e os direitos da classe trabalhadora.

Nesse roteiro de atividades participaram importantes movimentos sociais (do campo e da cidade) e sindicais, além de coletivos, fóruns e lideranças partidárias. Essa primeira etapa da Caravana Popular pela Democracia iniciou no dia 4 e terminou no dia 13 de julho, marcando a posição dos setores democráticos, progressistas e de esquerda nos principais municípios do Sertão, Agreste, Zona da Mata e Litoral.


E frente a esse conjunto de articulações e diálogo permanente com a sociedade, a CTB PERNAMBUCO se fez presente nos atos da Caravana, contribuindo com o debate acerca da conjuntura nacional e defendendo o restabelecimento da democracia e reafirmando que não podemos deixar que o país retroceda com a atual agenda de políticas neoliberais, posta pelos golpistas e pelo nosso parlamento conservador.

Encerramento da Caravana

No dia 13 de Julho (quarta-feira), as atividades da Caravana tiveram início com um grande ato político na cidade de Caruaru, que contou com a participação de vários movimentos sociais, sindicais e partidários, além do ex-presidente Lula, que após a passeata, também foi a um almoço promovido pelo MST no assentamento Normandia.

Após as atividades no agreste, a Caravana - ainda na quarta-feira - seguiu rumo ao Recife, para realizar o encerramento das atividades. Ainda contando com a participação de Lula, um ato político foi promovido que teve a presença de diversas organizações, como a CTB, CUT, MST, UNE, FETAPE,UBM, PT, PCdoB etc. e de parlamentares ligados às forças progressistas e de esquerda que atuam no estado.

Confira as cidades por onde a Caravana Popular Pela Democracia passou
Petrolina
Ouricuri
Salgueiro
Petrolândia
Serra Talhada
Afogados da Ingazeira
Arcoverde
Garanhuns
Surubim e Palmares
Caruaru
Recife

DESEMPREGO COMO TÁTICA DE COMBATE À VIOLÊNCIA


Por Wallace Melo Barbosa

A estratégia equivocada adotada pelo Grande Recife Consórcio de Transportes para reduzir o número de assaltos aos ônibus que circulam pela região metropolitana do Recife está deixando os pernambucanos mais inseguros.

Confesso que não compreendi a lógica apresentada. Revogar a função de cobrador e proibir a utilização do dinheiro em espécie nos coletivos, condicionando a utilização desses modais apenas àqueles que possuem o Vale Eletrônico Metropolitano (VEM) reduzirá a incidência de assaltos nos ônibus? Como assim? Retiram-se os cobradores e os assaltos serão reduzidos? Partindo desse raciocínio e cogitando uma não diminuição dos roubos nos coletivos, qual seria a próxima tática? Proibir os passageiros a utilizarem o transporte público? É bom lembrar que os usuários também sofrem com a violência dentro dos ônibus, mas essa questão, pelo visto não foi pautada na “fórmula” do Grande Recife.

De acordo com o sindicato dos rodoviários, de janeiro a junho houve aproximadamente 850 assaltos nos coletivos, desses, 415 foram notificados à Secretaria de Defesa Social (SDS), um número que, segundo as autoridades, já supera os casos ocorridos no ano passado, tomando por base o mesmo período.

E frente a tais constatações e ao clima de insegurança que assombra os cidadãos e cidadãs, as empresas de transporte urbano apresentam uma “saída mágica” para a questão baseada nos seguintes elementos: demissão dos trabalhadores (cobradores e cobradoras), proteção do seu patrimônio e maximização dos lucros. No que tange o primeiro ponto, falo por não acreditar no compromisso firmado pelo patronato em alocar seus funcionários em novas funções, capacitando-os para atuarem em outros setores da empresa. Sinceramente, esse discurso é pura utopia, pelo menos no âmbito da relação Capital e Trabalho.

Para além a esses engôdos, fico a me questionar sobre a opinião do Poder Público frente à resolução apresentada e pactuada pelo Grande Recife. Pois, nessa altura do campeonato, cabem aos órgãos estaduais – detentores constitucionais das prerrogativas acerca da segurança pública – a intervenção sobre esse debate enviesado a fim de impedir a materialização dessa lógica. Em nenhum momento o desemprego diminui a violência! O crime se combate com medidas enérgicas, preventivas e através de uma ampla inteligência investigativa.

E o combustível para esses caminhos são políticas públicas avançadas e que garantam, entre outras coisas, a estruturação do aparato policial (sobretudo na valorização profissional e na melhoria das condições de trabalho) celeridade judicial e uma reintegração social eficiente, efetiva e eficaz.

Cair nesses devaneios apresentados como possíveis soluções para a violência urbana é o mesmo que acreditar nas respostas “lombrosianas” da Itália no século XIX, ou seja, que o combate ao crime se estabeleceria a partir de fórmulas simples e deterministas. Mais do que nunca é preciso negar essas ilusões e nos colocarmos sempre numa posição questionadora e crítica a tais procedimentos mal arranjados, que escondem mais malícias do que soluções. Diante disso, nos resta desconstruir e enfrentar essas contradições e principalmente, lutar por uma cidade mais humana, democrática e livre do espectro maldito e cotidiano da violência.

POR UMA EDUCAÇÃO PÚBLICA, DEMOCRÁTICA E DE QUALIDADE!

Por Wallace Melo Barbosa

A atual quadra política do país vem exigindo muita militância e organização por parte das forças progressistas e democráticas brasileiras. O golpe consolidado contra à presidenta Dilma Rousseff e a ascensão do governo ilegítimo liderado pelo conspirador da república, Michel Temer, vem demonstrando que vamos passar por um momento de defensiva política, resistência e acúmulo de forças para derrotarmos o projeto de Estado que se apresenta e sobretudo, com forte apoio dos setores reacionários e elitistas, principalmente no Congresso Nacional.

Os cortes orçamentários na educação também é um aspecto notado pelos brasileiros nessas últimas semanas. Programas como Pronatec, Prouni e Fies estão em risco, assim como o investimento e a autonomia das universidades e institutos federais. A pauta privatizadora vem sendo reapresentada, tendo o ministro da educação Mendonça Filho (DEM) como um dos seus principais defensores.

Além dos programas que visam o acesso e a permanência de milhares de estudantes no ensino universitário, também estão em cheque a lei do Piso Nacional do Magistério Público e o próprio Plano Nacional de Educação, políticas que foram construídas a partir de muitas discussões, lutas e mobilizações por todo país.

Mais do que nunca, a conjuntura nos remete a plena defesa de um projeto educacional público, democrático, gratuito e de qualidade. Que forme cidadãos intelectualmente críticos, e profissionais que contribuam com o desenvolvimento do país. Retroceder no âmbito educacional implica em graves prejuízos ao povo e à soberania nacional.

Porém, outro aspecto que também devemos trazer a baila diz respeito às movimentações de determinados setores da sociedade em alguns estados, inclusive na região Nordeste, que almejam instituir a censura dentro das salas de aulas. Em Alagoas, por exemplo, os deputados estaduais aprovaram por unanimidade o projeto intitulado de “Escola Livre”, que prevê a neutralidade nas aulas, proibindo os profissionais da educação debater questões relacionadas à política, ideologia, gênero ou religião com os estudantes das escolas estaduais. A chamada lei da mordaça prevê sanções administrativas para os educadores que colocarem suas opiniões sobre fatos sociais e históricos, criminaliza práticas didáticas e interfere no fazer pedagógico, monitorando o discurso e o trabalho dos professores e professoras.

Uma realidade confusa e com sinais de retrocesso. Esse é o retrato do quadro educacional brasileiro, que não deixa de ser mais uma conseqüência das circunstâncias sociais que o país atravessa. Porém, não basta apenas fazer o diagnóstico da situação, é preciso lutar para transformá-la e colocar a política no rumo correto. Mais do que nunca, os movimentos sociais, a intelectualidade e os parlamentares comprometidos com a luta do povo devem se colocar como instrumentos estratégicos em defesa do Brasil.

Não podemos deixar que discussões de natureza conservadora e que impliquem em prejuízos ou precarização da atividade docente envenenem o nosso sistema educacional. Os parlamentos municipais e estaduais devem ser guardiões dos planos de educação (municipal, estadual e nacional) e trabalhar para que aumentemos os índices educacionais e avancemos no fortalecimento de escolas públicas estruturadas, com profissionais valorizados e sobretudo democráticas.

Diante disso, é importante reafirmar em nossas discussões sobre as cidades, o compromisso em pensar a educação como um elemento essencial ao desenvolvimento municipal, e isso implica na defesa dos programas sociais, na ampliação do acesso e permanência da nossa juventude nas escolas, cursos profissionalizantes e faculdades, além de sermos tribunos destacados na luta pela valorização dos professores e demais trabalhadores em educação. Uma construção válida e necessária aos dias que se avizinham.

ACORDO DE PAZ NA COLÔMBIA: FARC E GOVERNO COLOMBIANO ENCERRAM O MAIOR E MAIS ANTIGO CONFLITO ARMADO DA AMERICA LATINA

Muito oportuno para este semestre que valorizemos o acordo de paz assinado nesta última quinta-feira (23) em Havana, entre o governo colombiano, na figura do presidente Juan Manuel Santos e a Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), lideradas por Timoleon Jimenez, também conhecido como "Timochenko". Um cessar-fogo definitivo que sinaliza um momento de esperança para o país e para toda comunidade latino americana.

Segundo o jornal El País, estamos diante do acordo dos acordos. Pois depois de mais de 50 anos de confrontos, atentados, mortes (aproximadamente 260 mil vítimas), desaparecimentos (45 mil pessoas) e milhões de pessoas deslocadas do país devido a essa “guerra”, aparenta-se que o conflito armado está chegando a um ponto final. O acordo de paz terá o grande potencial de trazer a paz ao povo colombiano, pois será por meio dessa articulação que se espera levar o desenvolvimento e a assistência estatal às áreas rurais da Colômbia (combate a violência e a criminalidade, sobretudo), oferecer aos guerrilheiros o retorno à vida civil - segundo as negociações, nenhum membro das Farc irá pagar pena de prisão pela guerrilha - e por fim integrar e institucionalizar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia ao cenário político do país.

Durante a cerimônia do acordo, estiveram presentes os presidentes de Cuba, Raúl Castro; do Chile, Michelle Bachelet; da Venezuela, Nicolás Maduro; do México, Penã Nieto; da República Dominicana, Danilo Medina e de El Salvador, Salvador Sánchez Cerén. Além de representações da Noruega, Estados Unidos e do Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon.

Os governos de Cuba, Venezuela, Noruega e Chile foram protagonistas nesse processo de pacificação. E também é válido ressaltar a habilidade diplomática do presidente cubano Raúl Castro que se colocou como mediador e anfitrião dos encontros que já vinham acontecendo a mais de três anos e seis meses e que felizmente resultará nesse importante tratado de paz, que será assinado em terras colombianas.

O acordo que será assinado versa sobre os seguintes elementos:

1. Cessar-fogo (e das hostilidades) bilateral e definitivo; 
2. Desarmamento das Farc; 
3. Garantias de segurança e luta contra organizações criminosas responsáveis por homicídios e massacres ou que ameaçam defensores dos direitos humanos e movimentos sociais e políticos; 
4. Combate a condutas criminais que ameacem a construção da paz.

O acordo será importante também para livrar o país de outros conflitos, pois ainda existe na Colômbia a atuação do Exército de Libertação Nacional (ELN) e das organizações neoparamilitares, porém com tal acordo de cessar-fogo assinado, acredita-se que a superação desses outros conflitos será bem mais fácil.

Inegavelmente, um fato histórico, pois a América e o mundo estão prestes a presenciar o desarmamento das Farc e a sua instituição como uma força política na Colômbia, fator esse que poderá contribuir com a consolidação da democracia no país. As armas pertencentes às Farc serão entregues a ONU, que serão fundidas para se transformarem em três monumentos que homenageará esse momento histórico. Um será colocado na sede da ONU, outro em Cuba e o terceiro na Colômbia em um local acordado entre o governo e os guerrilheiros.

Por Wallace Melo Barbosa – mestre em ciências sociais, professor e secretário de Jovens Trabalhadores da CTB/PE

01 DE MAIO: NOSSOS DIAS SERÃO DE LUTA


O dia 17 de abril, mais uma vez ficará marcado em nossa história pelo ataque das forças autoritárias contra os interesses populares. Foi nessa data, há 20 anos, que houve o sangrento Massacre de Eldorado dos Carajás, onde 19 trabalhadores rurais foram assassinados pela Polícia Militar do Pará. Porém, neste ano, também vamos registrar nas linhas histórica do País, um dia marcado pela emergência da demagogia e do golpismo perante a democracia.

Falo aqui do turbulento processo de votação, onde o povo brasileiro assistiu ao espetáculo midiático montado para a sessão parlamentar que decidiu pelo impeachment da presidenta Dilma na Câmara Federal, onde as motivações proferidas pelos deputados que se colocaram a favor do impedimento se deu, sob a égide do golpismo, do conservadorismo, do elitismo e, sobretudo, do sentimento antidemocrático. Um verdadeiro show da demagogia, capitaneado por Eduardo Cunha (PMDB), que presidiu a sessão, mesmo sendo réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de envio de grandes quantias de dinheiro para contas bancárias situadas em paraísos fiscais.

Um golpe de Estado materializado e em curso. É o que analisa a sociedade civil e o conjunto dos movimentos sociais sobre a atual conjuntura política nacional. Um cenário preocupante, que relega a segundo plano à democracia, os princípios constitucionais e que permite que o Brasil se submeta à agenda das forças conservadoras e autoritárias, que nunca aceitaram suas derrotas eleitorais e agora, querem tomar de assalto o poder político institucional, através de um golpe político, jurídico e midiático.

Não existem crimes contra a presidenta Dilma, portanto não há possibilidades de impedir o seu mandato e a única forma legal de ocupação do seu cargo é apenas pelas vias eleitorais e democráticas, que só ocorrerão em 2018. Contudo, os setores de direita, inconformados com o processo de transformações sociais ocorridos no Brasil ao longo da última década, se aproveitam do cenário de crise econômica internacional, para inviabilizar o governo federal e, disseminar o ódio na sociedade, acirrando a luta de classe e colocando o país em uma encruzilhada histórica.

Nesse contexto, entendo que o atual momento nos obriga a não apenas escolher um lado, e sim, tomarmos uma posição de resistência à ofensiva golpista, liderada por Eduardo Cunha e Michel Temer (ambos do PMDB). Precisamos nos somar aos demais lutadores e lutadoras do povo a fim de defendermos à democracia no Brasil, construirmos um projeto nacional de desenvolvimento e soberania, e por fim, afirmar, nos mais variados espaços, que discordamos do golpe e não aceitaremos o receituário que o PMDB vem apontando (denominado de Pontes para o Futuro) como solução para o país.

E em vista o contexto de mobilização e debates relacionados ao dia do Trabalhador, essas reflexões ganham mais relevância. O papel da classe trabalhadora na luta contra o golpe é central e estratégico, pois o país sofre o eminente risco de retroceder política e economicamente, em virtude do projeto neoliberal proposto pelos conspiradores do PMDB. Precisamos barrar tudo isso, pois o que está em jogo é a tentativa de uma reconstrução do Estado brasileiro, pautada pela diminuição das responsabilidades públicas, cortes orçamentários (principalmente sobre os programas sociais), demissões, mudanças na Constituição Federal, flexibilização das leis trabalhistas, desvalorização do salário mínimo, aumento do tempo de serviço para aposentadoria, possibilidade de desmonte do Mercosul etc.

No documento intitulado de Pontes para o Futuro, o PMDB apresenta o seu projeto de país, e um dos caminhos propostos seria o de “acabar com as vinculações constitucionais estabelecidas, como no caso dos gastos com saúde e com educação” (p.09). Além de empoderar o parlamento, para que arbitrem sobre os reajustes fiscais e salariais, tomando como referência apenas os seus critérios. Ou seja, será em nome da família, da tradição, de Deus e da grande propriedade, que nossos congressistas vão legislar e reformular o Estado.

Para os conspiradores e golpistas, a economia deverá ser apoiada expressamente “no investimento privado e nos ganhos de competitividade do setor externo, tanto do agronegócio, quanto do setor industrial” (p.17). Para eles, o Estado brasileiro terá que se ocupar apenas em “viabilizar a participação mais efetiva e predominante do setor privado na construção e operação de infraestrutura” (p.17). Assim o crescimento econômico se dará pela lógica do capital e a partir de “uma política de desenvolvimento centrada na iniciativa privada” (p.18).

Diante desse quadro político, os trabalhadores e trabalhadoras devem se colocar em uma posição de defesa dos direitos e resistência a ofensiva neoliberal. Não podemos permitir que haja uma desconstrução das leis trabalhistas e que as “convenções coletivas prevaleçam sobre as normas legais” (p.19). Não existe outro caminho se não a luta política. Nesse contexto, o 1º de maio ganha uma responsabilidade ainda maior, será o cenário para que as forças democráticas, progressistas e de esquerda, junto com o conjunto de movimentos sociais (sindicatos, estudantes, mulheres, negros, juventude, artistas, intelectuais, igrejas etc), acumulem forças e tomem as ruas. Nosso futuro está em jogo e não vamos permitir retrocessos! Não vai ter golpe! Vai ter Luta e com o povo na rua!

Por Wallace Melo Barbosa - professor, mestre em ciências sociais e secretário de jovens trabalhadores da CTB/PE

JUVENTUDE, SINDICALISMO E LUTA POLÍTICA: REFLEXÕES PARA SE PENSAR O DIA INTERNACIONAL DO JOVEM TRABALHADOR

Em meio aos acontecimentos políticos e a atual quadra de crise econômica planetária, o presente nos remete a um estado de constante reflexão e necessidade de acúmulo de forças para resistirmos às ofensivas impostas pelo capitalismo em sua constante intenção de maximizar os lucros, a exploração e endereçar os custos sociais e financeiros do atual cenário de adversidades nas costas da classe trabalhadora.

Nessa conjuntura, é fundamental pensarmos sobre o atual momento, tomando como elementos norteadores, a luta de classe e a atual divisão internacional do trabalho. Pois a partir dessas quadras poderemos enxergar nitidamente as origens das agendas impostas pelos setores empresariais na intenção de desacelerar a luta por avanços para a classe trabalhadora e atacar os direitos conquistados.

Em meio a tais reflexões, torna-se muito pertinente trazer esta discussão para o contexto do dia 24 de Abril – Dia Internacional do Jovem Trabalhador. Data que carrega um conjunto de significados históricos e que seu debate oferece a oportunidade de descortinarmos e problematizarmos a lógica do mundo do trabalho e reforçar o entendimento acerca da necessidade de acumular forças e avançar na luta de classe, tendo em vista a derrocada do sistema capitalista e a conseqüente construção do socialismo.

No Brasil, a lógica imposta ao mundo do trabalho não é diferente ao que ocorre no resto do planeta. Pelo contrário, o atual contexto de ataque aos trabalhadores e a agenda golpista e neoliberal vêm ganhando força, colocando a classe trabalhadora em uma situação de defesa estratégica dos seus direitos. Nesse rol, que não é estranha também aos países da América Latina, a crise econômica mundial tornou-se cenário para a implantação de políticas devastadoras aos interesses populares em nome da especulação financeira e acumulação dos lucros. Pautas como a terceirização, flexibilização dos direitos e a precarização das relações trabalhistas são aspectos que são apresentados de forma expressa, acirrando o ambiente da luta de classe e remetendo aos trabalhadores de todo mundo a responsabilidade de mais organização, mobilização e disposição para a luta política e enfrentamento aos setores elitistas.

Diante disso, enxergar o panorama político que os jovens estão inseridos no mundo e na lógica do trabalho, é fundamental para perceber nitidamente o quanto é intencional para a lógica burguesa, a incorporação dessa expressiva parcela de trabalhadores e trabalhadoras dentro de um contexto de precarização, subemprego e desemprego. Os males e as contradições naturais que orbitam o mundo capitalista relegam propositalmente a juventude a um estado de marginalização, chacina, cárcere, exploração da força de trabalho e tornando-as mão-de-obra barateada e desvalorizada. E essa situação se agiganta nessa atual quadra política e econômica.

Diante disso, trazer esses elementos para o debate da inserção do jovem no mundo do trabalho é contribuir para entendermos com propriedade os valores e princípios do mundo burguês, e nessas circunstâncias, avançarmos no processo de acúmulo de forças e fortalecimento das nossas organizações e instrumentos políticos (partidos, sindicatos, federações, confederações e centrais sindicais). Contudo, nada disso terá valia se também não ampliarmos a unidade classista, a defesa da democracia e, sobretudo o fortalecimento das opiniões mais vanguardistas do movimento operário internacional dentro do processo de condução das lutas dos trabalhadores e trabalhadoras contra o capital, na perspectiva da conquista e ocupação dos diferentes espaços decisórios de poder.

A juventude, dentro desse cenário, torna-se elemento indispensável para fortalecer a luta e a organização dos trabalhadores e trabalhadoras em todos os espaços. Os desafios que se apresentam exigem do movimento sindical muita responsabilidade e classismo. E a vanguarda da juventude deve ser aproveitada e incorporada na agenda sindical. Essa necessidade se estabelece materialmente, principalmente com a ampliação do número de jovens nas direções das entidades sindicais, formação de novos quadros da juventude no movimento sindical e enfrentamento direto às políticas reacionárias e prejudiciais ao movimento operário.

Nesse contexto, o dia internacional do jovem trabalhador (24 de abril) se apresenta à contemporaneidade como um momento de ressignificação acerca das táticas e das estratégias do movimento sindical, concebendo os jovens como atores protagonistas dentro desse debate. A Luta de classe nunca esteve em tanta evidência, e as circunstâncias nos remetem à luta, resistência e organização. O capitalismo faz guerra, chacina e destrói a civilização humana. A nossa resposta é necessária e a juventude, mais do que nunca, tem o seu papel revolucionário ampliado, na intenção de contribuir para a construção de outra lógica de trabalho, produção e distribuição das riquezas e na materialização do socialismo em vários cantos do mundo.

Por Wallace Melo Barbosa – mestre em ciências sociais, professor e secretário de comunicação social do Sinpro/PE

AS LIÇÕES DE LÊNIN E A CONSTRUÇÃO DO SOCIALISMO NO SÉCULO XXI


Aproveitando o contexto das comemorações relacionadas ao aniversário do grande líder e camarada Vladmir Lênin, e considerando que também neste ano, rememoramos que a exatos 100 anos, o comandante da revolução bolchevique, escreveu uma de suas principais obras, O Imperialismo, Etapa Superior do Capitalismo, apresento esse artigo, a fim de trazer algumas discussões acerca deste livro, que na minha opinião, mesmo considerando que sua escrita foi feita à luz dos processos históricos do século passado, nos apresenta importantes considerações para entendermos com mais propriedade o nosso tempo.

Suas considerações são relevantes, pois fundamenta a crítica ao capitalismo, contribuindo também com as concepções socialistas e fortalecendo teoricamente as discussões acerca da luta de classe e sobre a importância da mobilização popular na busca pela ampliação da democracia, defesa da soberania e autodeterminação dos povos, desenvolvimento das forças produtivas e, sobretudo, a construção do socialismo no século XXI.

Na obra citada, Lênin nos apresentam uma análise econômica e política sobre os processos históricos que eclodem no início do século XX, tomando por base, elementos relacionados à teoria revolucionária socialista, e também, muitos dados, estatísticas e números da economia e do mercado. É incrível que, passados 100 anos, suas formulações permanecem atuais e relevantes para a compreensão dos nossos dias.

Segundo Lênin, “o século XX assinala, pois o ponto de viragem do velho capitalismo para o novo, da dominação do capital em geral para a dominação do capital financeiro (p.20)”. Nessa perspectiva, o autor fala sobre a percepção da hegemonia dos monopólios financeiros, percebido nas primeiras décadas do século passado, e sua atuação sobre a lógica produtiva e sobre as economias das diversas nações. “O imperialismo ou o domínio do Capital financeiro, é o capitalismo em seu grau superior (p.26)”. Lênin também pontua que a livre concorrência, característica estruturante do modo de produção capitalista (em sua versão mais clássica), foi superada pelo império do monopólio e da exportação de capital, oriundos das nações ricas e pertencentes aos grandes bancos, oligopólios e trustes para os países pobres, repercutindo diretamente no desenvolvimento do capitalismo nessas nações, criando laços de dependência e impactando na divisão social do trabalho (com o processo de partilha do mundo).

Outra observação importante diz respeito a evidencia de que é dentro dos contextos de crise econômica que o capitalismo se reconstrói. Para Lênin, é nesse ambiente que são criadas as condições materiais para o aumento da concentração ampla do capital, e conseqüentemente o imperialismo, a partilha do mundo, o ataque à soberania e a dependência econômica, fiscal e monetária. Uma observação bastante atual para os tempos de hoje. A história já nos mostrou que os bancos e os grandes grupos empresariais sempre saem dos momentos de crise, mais fortalecidos e controlando hegemonicamente a produção econômica, influenciando com grande peso nos espaços da política institucional. É nesse cenário que são notadas a incorporação das pequenas e médias empresas ao patrimônio do grande capital, principalmente dos bancos privados.

O poder e a supremacia do capital financeiro impõem aos trabalhadores e trabalhadoras às mais variadas contradições. Maximiza a exploração, reduz a força de trabalho a uma simples e descartável mercadoria e a partir de uma agenda política opressora, cria divisões no movimento operário, enfraquece os sindicatos e demais organismos classistas, atacam, flexibilizam e precarizam as leis trabalhistas e os direitos conquistados, e sempre que podem, destroem a democracia, a autodeterminação dos povos e as bandeiras que interessam ao povo.

As palavras escritas por Lênin não são anacrônicas ao nosso tempo. As ideias imperialistas permanecem fortes e presente no seio da nossa sociedade. Mas por outro lado, nos faz refletir sobre a missão histórica de superarmos o capitalismo e empoderarmos a classe trabalhadora no processo de condução da política e da economia, para assim transitarmos rumo ao socialismo. Vladmir Lênin, vive!

Por Wallace Melo Barbosa – mestre em ciências sociais, professor e secretário de jovens trabalhadores da CTB/PE

Bloco Carnavalesco O Cachorro Teimoso - Jardim Atlântico/Olinda



* Nota de Esclarecimento: Na postagem original, o nome do Bloco Carnavalesco O Cachorro Teimoso foi escrito de maneira equivocada, sendo confundido com um outro bloco, porém o erro já foi devidamente corrigido. De todo caso, a UNACOMO/PE pede desculpas pelo ocorrido e aproveita para desejar um excelente carnaval à tod@s!!!

Carta aberta à presidenta Dilma Rousseff


Cara Presidenta Dilma, após os movimentos comunitários e sociais que compõem a diretoria e o quadro de filiados da UNACOMO/PE, analisarem os autos de acusações que lhes são apontadas consideramos, que a senhora é CULPADA:

CULPADA POR tirar o Brasil do mapa da fome. E pela primeira vez, temos uma geração de crianças que não morrem de fome;

CULPADA POR QUE, com o Brasil Sem Miséria e o Programa Bolsa Família, 36 milhões de brasileiros saíram da situação de extrema pobreza;

CULPADA POR 42 milhões de brasileiros(as) ascenderem à nova classe trabalhadora;

CULPADA POR criar 21 milhões de empregos formais e ter elevado o salário médio de admissão, que passou de R$ 772,58 em 2003 para R$ 1. 104, 12 em 2013;

CULPADA POR fazer o Brasil saltar de 13ª para 7ª maior economia do mundo e triplicar a renda per capita. Resultando na queda da desigualdade e reduzindo a dívida pública líquida de aproximadamente 60% para 35% do PIB e a dívida externa bruta em relação ao PIB de 42% para 14%;

CULPADA POR criar o Mais Médicos, programa que está conseguindo melhorar o acesso à Saúde nos municípios que o aderiram. De acordo com dados da Rede Observatório do Programa Mais Médico, nos municípios onde os médicos da iniciativa atuam, o número de consultas realizadas por esses profissionais estão garantindo atendimento a 63 milhões de brasileiros(as);

CULPADA POR apoiar à democracia na América do Sul. Ex: suspendendo o Paraguai golpista do Mercosul e da Unasul;

CULPADA POR aumentar os recursos investidos na Agricultura Familiar;

CULPADA POR criar o programa Rede Cegonha, de apoio a gestantes, nutrizes e bebês;

CULPADA POR dar continuidade à política de Redução do Desmatamento na Amazônia, que já caiu em 84% desde 2004;

CULPADA POR lançar a segunda edição do Minha Casa, Minha Vida. De acordo com a Caixa Econômica, foram entregues 1.939.252 residências à população de baixa renda até dezembro de 2014;

CULPADA POR reduzir a Dívida Pública para o menor patamar em 15 anos, estando em cerca de 35,5% do PIB atualmente;

CULPADA POR Aumentar as tarifas de importação para proteger a indústria nacional;

CULPADA POR desonerar a folha de pagamento e reduções de impostos para inúmeros setores produtivos da economia;

CULPADA POR reduzir a zero a taxa da PIS e Cofins cobradas sobre a Cesta Básica;

CULPADA POR Reduzir a TJLP para 5% ao ano. Ela é cobrada pelo BNDES em seus financiamentos para o setor produtivo;

CULPADA POR ter mantido de Política Externa Altiva e Soberana, que sustenta governos progressistas em toda a América Latina;

CULPADA POR reduzir para Zero da PIS e Cofins cobradas sobre transportes coletivos urbanos;

CULPADA POR o Brasil atingir a maior safra de grãos da história, de cerca de 220 milhões de toneladas, em 2015;

CULPADA POR aprovar a PEC das domésticas, beneficiando 7,2 milhões de trabalhadoras (es);

CULPADA POR adotar as cotas para ingresso nas Universidades e Institutos Federais;

CULPADA POR ter conseguido Importantes vitórias do Brasil na política externa, elegendo brasileiros para dirigirem a OMC e a FAO;

CULPADA POR ter aumentado a renda dos 10% mais pobres no Brasil, avançou 106% entre 2003 e 2012. Esse percentual é o dobro do aumento da renda média do restante da população, que cresceu 51% no período. Entre 2003 e 2013, o PIB real total brasileiro cresceu 45%, com a inflação média do governo da senhora beirando a menor da história com 6,07%, contra 7,5% do período Lula e 12,4% do governo FHC;

CULPADA POR interferir tão positivamente na área da educação, que até 2003 tinham 45 universidades federais e 148 campi no País. Após apenas 12 anos do seu governo e do, governo LULA, foram criadas 22 escolas técnicas. 18 universidades federais. 173 novos campi universitários. Mais de 7,1 milhões de estudantes em universidades. Incomodando a ELITE e a DIREITA que odeia povo educado. Fica difícil de eles manipularem. Elevando o orçamento do Ministério da Educação que passou de 18 bilhões, em 2002, para 115,7 bilhões, em 2014. Em relação ao PIB, passou de 4,5% em 2004 para 6,4% em 2012;

CULPADA POR combate sem tréguas à corrupção. Com o fim da impunidade com o fortalecimento das instituições que fiscalizam, investigam e punem atos de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros. Esse foi seu maior erro, pecado, num país que até 2002 a impunidade reinava;

CULPADA POR ser a candidata apoiada por MOVIMENTOS POPULARES que não saem das trincheiras de lutas e vivem defendendo o BRASIL e a DEMOCRACIA de DIREITOS, além de estar acabando com ANALFABETISMO no BRASIL, que fez a loucura de descentralizar os investimentos no Brasil, diminuindo as diferenças históricas entre as Regiões, que desafiou uma MÍDIA totalmente conservadora e que é contra o BRASIL e a DEMOCRACIA, e uma Direita que não aceita a ascensão da classe trabalhadora, direita

Que pasmem, a senhora Presidenta se incomoda ao saber que o pobre tem comida ou acesso a escola;

E por fim sua maior CULPA é ser MULHER de FIBRA e COMBATIVA que não se curva nem se ajoelha aos chantagistas que perderam as eleições nas urnas e que tentam a todo custo vender o BRASIL e enterrar a nossa DEMOCRACIA e que querem rasgar a nossa CONSTITUIÇÃO.

POR FIM considerando todas as suas CULPAS, a senhora será CONDENADA A: Manter-se PRESIDENTA do BRASIL até o dia 31 de Dezembro do ano de 2018 e ELEGER o Sr. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA como seu SUCESSOR.

Olinda, 01 de Dezembro de 2015
“Publique-se nos movimentos Populares, Comunitários, Sociais e ao POVO BRASILEIRO e façam ciências as partes de acusação” DIREITA E CHANTAGISTAS” e a acusada condenada senhora presidenta DILMA ROUSSEFF.

Marcos Morais Martins
Relator do Caso